terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Iluminismo (2 de 4) - Rousseau, Voltaire e Montesquieu

 Fonte: Imago História



Os inúmeros pensadores iluministas espalhados por toda a Europa escreveram inúmeros livros defendendo a suas ideais, muitas vezes se contraponto. Contudo, a grande síntese do espírito do Iluminismo foi materializada na grande Enciclopédia dirigida por Diderot e D’Alambert, que compreendia 35 volumes e levou quase 30 anos para ser publicada, ao decorrer da segunda metade do século XVIII (com a contribuição de inúmeros pensadores iluministas). A Enciclopédia tinha a pretensão de sistematizar todo a conhecimento humano, uma verdadeira audácia. Mais que uma obra, a Enciclopédia é um grande elogio a razão, à capacidade humana, ao conhecimento, ao otimismo em relação ao progresso desse conhecimento, dos homens e da sociedade como um todo.

Vamos analisar a seguir alguns dos principais pensadores considerados iluministas e as suas principais contribuições:

Rousseau – Em sua obra “Do contrato social” Rousseau estabeleceu os princípios da democracia moderna. Em sua obra defende que os homens através de um pacto se organizam numa comunidade política, e que essa comunidade deve ser, portanto, a expressão da vontade geral. O povo é soberano e é a sua vontade de deve prevalecer; se isso não acontecer, o povo não apenas pode, mas deve substituí-lo.

Apesar de ser considerado um iluminista Rousseau escreveu uma obra chamada “Discurso sobre a origem e os fundamentos da desigualdade entre os homens”, onde defendia que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Para Rousseau, nos primórdios na existência humana os homens viviam de forma “natural” e tinham poucas necessidades, que facilmente eram satisfeitas. Esse foi à época de ouro para os seres humanos, em que não havia desigualdade entre os homens, que viviam em paz e com liberdade. Contudo, o estabelecimento da propriedade privada teria tornado os homens gananciosos mesquinhos, avarentos, invejosos. A desigualdade entre os homens foi estabelecida, portanto com a propriedade privada, quando o primeiro homem teve a audácia de cercar determinado local e disser-se-se dono de tudo. Nesse sentido, apesar de ser considerado um iluminista, Rousseau criticava o iluminismo e as conquistas da civilização e dizia que os homens se aperfeiçoam somente para o mal.

Voltaire – Um dos principais pensadores do iluminismo Voltaire ficou conhecida pela escrita bem-humorada e afiada e pelas inúmeras e contundentes críticas aos reis absolutistas, em especial na França. Em uma palavra Voltaire defendia o liberalismo, seja ele econômico, político, ou religioso. Um exemplo da postura de Voltaire pode ser apreendido em uma das mais famosas expressões a respeito da liberdade de expressão em todos os tempos: “Posso não concordar com nenhuma palavra do que você disse, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Voltaire, ao contrário de Rousseau defendia o progresso das ciências e dar artes e o avanço da suposta civilização européia. Os dois grandes pensadores do iluminismo, que eram contemporâneos chegaram a travar discussões; numa delas, em tom provocativo, Voltaire convidou Rousseau a seguir os conselhos de seu livro, e retornar ao estado natural. Para tanto Voltaire oferecia inclusive suas propriedades, onde Rousseau poderia ruminar com companhia de seus bois.

Montesquieu – "Só o poder freia o poder". O francês Montesquieu é responsável pela teorização a respeito da famosa divisão dos três poderes. Para ele a concentração do poder na mão de uma única pessoa proporcionará inevitavelmente o abuso de poder. Assim, o correto seria dividir esses poderes em parcelas, que seriam o poder Executivo (para administrar o país e executar as leis), o Legislativo (elaborar e aprovar leis) e o Judiciário (fiscalizar o cumprimento das leis e julgar os casos de conflito). A autonomia dos três poderes, segundo Montesquieu garantiria o bom funcionamento da sociedade, num processo de fiscalização mútua. Contudo, deve-se destacar que Montesquieu não defendia a idéia de que o povo devesse tomar o poder, ao contrário, defendia o sistema monárquico.

“Num Estado, isto é, numa sociedade em que há leis, a liberdade não pode consistir senão em poder fazer o que se deve querer e em não ser constrangido a fazer o que não se deve desejar”. 
Abaixo uma gravura de Voltaire e Rousseau.

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